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Slimes: cuidados e dicas

Não dá para negar que a slime, do tipo “faça você mesmo” é uma febre entre crianças e adolescentes, sendo tão divertido fazer quanto brincar com ela.  Hoje em dia vai além da simples “gosma”, a moda é o “slime designer”, quando as crianças adicionam corante alimentício, miçangas, glitter, isopor, creme de barbear (que deixa ela macia) e outros produtos para incrementar a slime.

Tudo isso parecia inofensivo, mas nos últimos tempos diversas histórias estão surgindo nos noticiários e nas redes sociais sobre os perigos tóxicos da brincadeira – erupções cutâneas e queimaduras, problemas realmente sérios, até mesmo convulsões e possíveis fracassos reprodutivos.

Produtos usados

Nas receitas tradicionais de slime temos água, cola branca escolar, o bórax e outros ingredientes como espuma de barbear, detergentes e solução de lentes de contato. Embora bórax seja aparentemente o agente mais nocivo, as soluções para lentes de contato e o detergente líquido contêm alérgenos (substâncias de origem natural, que podem induzir uma reação de hipersensibilidade) de contato conhecidos, incluindo miristamidopropil dimetilamina, propilenoglicol, metilcloroisotiazolinona / metilisotiazolinona, e fragrância. O creme de barbear, que é usado em algumas receitas, pode conter lauril sulfato de sódio, outro alérgeno de contato conhecido.

A cola da escola é, na verdade, água com uma pequena quantidade de uma substância química chamada acetato de polivinila. Basicamente, um plástico. As moléculas de acetato de polivinila na cola da escola se movem separadamente umas das outras enquanto a cola está molhada, mas fica firme quando está seca. Isso é o que mantém as coisas juntas

Cuidados com o bórax

O bórax é usado em produtos de limpeza, para clarear materiais brancos, reduzir odores e desinfetar. Também é encontrado em vários remédios e produtos de limpeza geral. Seus possíveis efeitos tóxicos para a saúde podem acontecer por ingestão, inalação ou contato, em especial quando houver lesões de pele associadas e exposição constante.

O bórax é facilmente absorvido pelo estômago, mas não atravessa bem a pele saudável. A absorção pelo corpo é possível se a pele estiver danificada, com feridas abertas, queimaduras, pele irritada ou descamada, eczema ou problemas de pele semelhantes. As partículas de poeira do pó de bórax podem entrar no ar, aterrissar nos olhos ou dentro do nariz ou da garganta. Isso pode causar uma ligeira irritação.

Os sintomas de intoxicação pelo bórax são:

  • Dores de estômago;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Diarréia;
  • Raramente dor de cabeça;
  • Letargia;
  • Irritabilidade e inquietação.

A evidência mais dramática de excesso de bórax é a vermelhidão da pele, que depois se desprende, especialmente nas palmas das mãos e nas solas dos pés. Atualmente estes casos de dermatites – que são relacionadas a estes efeitos da pele avermelhada e descamativa, é que soou o alarme atual à brincadeira.

Mas, “quanto” pode ser perigoso?

Se o contato for esporádico, uma quantidade inofensiva para uma criança de 2 anos é cerca de uma colher de chá de boro, e para uma criança mais velha, várias colheres de chá e um adolescente ou adulto, várias colheres de sopa. Na verdade, há mais risco de adoecer quando a exposição ao bórax ocorre dia após dia, seja por ingestão ou pela pele danificada. O risco de intoxicação evidentemente existe, mas é baixo, e os relatos mostram que é provável que a exposição excessiva ao bórax ocorreu nestes casos, e não apenas a brincadeira regular e supervisionada.

No entanto, a melhor coisa a fazer é limitar a exposição de todos a produtos químicos que contenham boro e que sempre os adultos estejam envolvidos na supervisão das brincadeiras e as regras sejam seguidas.

Devemos dizer adeus ao slime?

Não, desde que algumas regras básicas sejam seguidas. Lembrando que é uma decisão dos pais: você sabe o que é melhor para o seu filho. Se você optar por permitir a fabricação e brincar em sua casa, existem maneiras de manter as crianças seguras, minimizando sua exposição ao boro.E fique atento, crianças pequenas que podem colocar as coisas na boca devem brincar apenas com slime comestível feito com comida. Receitas sem boro, que usam amido ou fibras comestíveis são mais seguras.

Confira algumas dicas para tornar a brincadeira segura:

• Utilize sempre luvas ao “fabricar” as slimes;

• As mulheres grávidas devem evitar receitas que contenham boro;
• Toda “fabricação” deve ser supervisionado por um adulto;
• É melhor usar pratos descartáveis e talheres para fazer o slime, em vez de pratos de cozinha que depois serão usados para alimentos ou bebidas;
• Mantenha o recipiente de bórax fechado e fora do alcance de crianças pequenas;
• Se derramar o bórax, limpe o pó varrendo e, em seguida, limpe a área do derramamento com uma toalha de papel úmida para pegar a poeira restante;
• Não deixe a solução com bórax em um recipiente que alguém possa confundir com uma bebida. Despeje a solução não usada ou restante no dreno da pia imediatamente;
• Idealmente, luvas devem ser usadas durante a mistura do lodo de bórax para manter a pele protegida do bórax;
• Ao final da brincadeira tire as luvas e lave bem as mãos e os braços com sabão e água;
• Considere limitar a quantidade de tempo que seu filho brinca com slime. Não há regra, mas trinta minutos à uma hora por dia parece razoável;
• Lave sempre as mãos após tocar ou brincar com a massa.

Fonte: Dra. Aline Motta Menezes, Médica do Centro de Terapia Intensiva Pediátrica do Einstein

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