O que está acontecendo

Você sabia que o sedentarismo mata?

Podemos considerar atividade física, por definição, qualquer movimento corporal produzido pela musculatura e que tenha como resultado o gasto energético, como caminhar, lavar louça e subir escadas. E como sedentarismo o oposto, um estado muito reduzido de atividade física que pode comprometer, e muito, a manutenção de saúde saudável.

De acordo com a dra. Luciana Janot, especialista em avaliação cardiológica de atletas, a modernização da sociedade e o desenvolvimento tecnológico em velocidade sempre ascendente têm feito enormes modificações nos hábitos de vida do ser humano. “A redução da atividade física, que vem ocorrendo cada vez mais precocemente e atingindo até mesmo crianças, é, sem dúvida, consequência dessas mudanças.”

Recentemente, a revista médica The Lancet publicou um estudo em que os pesquisadores identificaram que a inatividade física é hoje também considerada fator de risco, assim como o tabagismo e a obesidade, em relação à mortalidade e que a prática de exercícios é capaz de prevenir, na população mundial, 10% dos casos de diabetes, 10% dos casos de câncer de mama e câncer de cólon. Em contrapartida, o sedentarismo foi responsável por 9% dos casos de mortalidade prematura, ou seja, mais de 5,3 milhões dos 57 milhões de mortes ocorridas em todo o mundo em 2008.

 

Mas qual é a realidade atual?

O American College of Sports Medicine e a American Heart Association, entidades especializadas em saúde do coração e medicina esportiva, recomendam a prática de atividade física aeróbica de moderada intensidade por no mínimo 30 minutos, cinco vezes por semana, ou atividade aeróbica de maior intensidade por 20 minutos, três vezes por semana. Esses exercícios devem ainda ser complementados por exercícios que mantenham ou aumentem a força muscular duas vezes por semana”, explica a médica.

Entretanto, mesmo após estas recomendações, a prevalência de indivíduos completamente sedentários ainda é bastante alta na população mundial. “Será que os profissionais de saúde estão conscientizando de forma adequada a população? Quanto tempo nós, médicos, gastamos de nossa consulta para explicar a grande importância da atividade física na saúde cardiovascular de nossos pacientes? E quando e como abordamos?”, questiona a dra. Luciana.

 

E o que deve ser feito para combater o sedentarismo?

Para a médica, diversas atitudes estão sendo tomadas neste sentido com o objetivo de reduzir o sedentarismo na população, mesmo em pacientes que já tenham histórico de doença cardiovascular, com algumas delas já demonstrando efeitos extremamente favoráveis e servindo de exemplo para alcançar sucesso diante do grande desafio: utilizar a atividade física como receita para a promoção de saúde cardiovascular.

Um importante ponto a entrar em discussão é exatamente a forma como os médicos orientam a prática de exercícios tanto para pessoas que querem começar uma atividade física quanto para aqueles pacientes em reabilitação de doenças cardiovasculares. “É claro que cabe ao médico medir o risco de seu paciente para determinar qual atividade ele está apto a praticar. Mas atividades físicas moderadas, como caminhada, com certeza, poderão ser realizadas pela maioria dos pacientes”, finaliza a dra. Luciana

Ao médico cabem medidas simples, como a abordagem a cada consulta, a prescrição do exercício em receituário, conscientizando o seu paciente de que o exercício deve ser tratado como um tratamento, o incentivo à mudança de hábito de vida, demonstrando a importância da atividade física tanto para a conservação da saúde quanto para o restabelecimento de alguma doença.

Ao indivíduo, cabe a conscientização de que a atividade física tem que fazer parte do seu dia a dia, pois é uma das formas de obter qualidade de vida, mantendo a saúde sempre em primeiro lugar.

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